USP investiga eficiência na extração do pré-sal

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A cidade de Santos, no litoral paulista, acaba de ganhar um espaço de pesquisa que desenvolve conhecimento e tecnologia para aumentar a eficiência dos reservatórios de óleo e gás localizados no pré-sal.

O centro de pesquisas InTRA (Integrações Tecnológicas em Análises de Rochas e Fluidos) teve a sede inaugurada em 1º de julho, na sede da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP), na Baixada Santista, onde o curso de Engenharia de Petróleo é oferecido desde 2012.

O local reúne pesquisadores de diversas áreas para desenvolver conhecimentos que serão aplicados na exploração das reservas de petróleo, sobretudo no âmbito do pré-sal, camada profunda no litoral brasileiro que oferece grandes desafios operacionais.

Investimento

O laboratório está ligado à Poli e recebeu investimentos da Petrobras por meio de recursos que devem ser investidos em pesquisa em desenvolvimento e inovação, por determinação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O InTRA foi desenvolvido a partir do convênio entre a USP e a Petrobras denominado “Molhabilidade e propriedades petrofísicas de rochas carbonáticas e sua relação com hidrocarbonetos”.

Os docentes pesquisadores envolvidos no projeto são Carina Ulsen, Cleyton de Carvalho Carneiro, Henrique Kahn, Jean Vicente Ferrari, Márcio Augusto Sampaio Pinto e Rafael dos Santos Gioria.

Para solucionar os desafios tecnológicos, uma equipe multidisciplinar, composta por químicos, físicos, geólogos e engenheiros das áreas química, mecânica, de minas e de petróleo, atua de forma integrada na pesquisa e formação de recursos humanos.

Integração

A professora da Poli Carina Ulsen, uma das coordenadoras do centro, salienta que o conceito de integração é muito importante para o funcionamento do grupo. “Desde a criação da nossa identidade, nós nos preocupamos em fazer a integração das expertises, de ser um grupo forte nas disciplinas, mas principalmente na integração entre os setores”, avalia a docente ao Jornal da USP.

Os pesquisadores do InTRA atuam nos processos relacionados à exploração e produção de petróleo. Considerando-se que grande parte do consumo energético no mundo ainda está baseada no uso de combustíveis fósseis, mesmo com o desenvolvimento de novas energias, essa ainda é uma das principais demandas da sociedade. O combustível que movimenta a maior parte dos meios de transporte, atualmente, é derivado de um petróleo refinado, que por sua vez é retirado de um reservatório.

“Nosso trabalho está no início desse processo, nos mecanismos de descoberta e da produção do óleo que um dia será refinado e gerarÁ combustível para energia e transporte, entre outros usos”, explica ao Jornal da USP Cleyton de Carvalho Carneiro, um dos coordenadores do grupo de pesquisa e professor da Poli.

Pesquisas

O grupo atua no começo da cadeia de produção de petróleo e busca compreender como funciona um reservatório, a rocha que acumula petróleo em seu interior, para que seja possível recuperar o máximo de óleo dessas rochas. No processo de descoberta de uma nova reserva, são realizados levantamentos sísmicos que ajudam a ver os tipos de rochas específicas.

Regiões mais propensas são estudadas mais a fundo, com a implantação de poços exploratórios, nos quais são retiradas amostras que serão analisadas em laboratórios como o do InTRA. O docente explica que, ao contrário do que imaginamos, o petróleo não é como um rio que corre em meio às rochas. “Na verdade, ele está em poros dentro das rochas, e para isso é preciso investigar a porosidade das amostras, a permeabilidade, pois se os poros não estiverem conectados será muito mais difícil extrair este óleo”, enfatiza.

Armazenamento

Para explicar como funciona uma rocha de um reservatório, o professor Cleyton de Carvalho Carneiro a compara a uma esponja e a um queijo suíço. Em uma esponja, os poros estão conectados, e no queijo suíço não há conexão entre eles.

Se a rocha estiver com os poros similares ao de uma esponja, o óleo escoa com facilidade para ser extraído. Já se a porosidade acontecer como em um queijo suíço, é muito mais difícil de extrair os fluidos das rochas.

Segundo o docente, há um processo ainda mais complexo, chamado de petrofísica especial, que identifica a permeabilidade relativa, o quanto o óleo adere aos minerais, se a água ou o óleo está aderindo às paredes dos poros das rochas do reservatório.

O projeto que gerou o laboratório é focado em uma propriedade chamada molhabilidade, conceito que vem mesmo de molhar, ou seja, o quanto um determinado fluido adere a uma superfície. Se colocarmos óleo de cozinha em uma esponja, será muito difícil tirar esse material.

Objetivo

Para o professor Jean Ferrari, químico que também faz parte da coordenação, o resultado do laboratório virá do ambiente interdisciplinar com objetivo mútuo. “Será muito enriquecedor para todos os envolvidos, cada um contribuindo com sua expertise, mas todos com uma finalidade comum, que é contribuir para o aumento do fator de recuperação, pois o grupo atuará em áreas de interface da engenharia de petróleo”, afirma o docente ao Jornal da USP.

O InTRA possui equipamentos de última geração capazes de investigar os principais parâmetros responsáveis pelo entendimento do escoamento dos fluidos dentro de um reservatório de petróleo. Entre estes, o parâmetro da molhabilidade, que mensura o quanto o óleo ou a água estão aderidos à rocha, e de como podem estar distribuídos ao longo do reservatório ou poço.

O professor da Poli Márcio Sampaio, físico, doutor em engenharia de petróleo, e coordenador do laboratório, explica que os reservatórios localizados no pré-sal, de modo geral, têm como característica a tendência de o óleo estar aderido às rochas, o que diminui o óleo que será produzido pelos reservatórios.

“Assim, os pesquisadores do grupo investigarão esse comportamento para buscar entender de que forma a propriedade pode ser alterada para aumentar a produção dos reservatórios”, avalia em entrevista ao Jornal da USP.

Parceria

O InTRA terá nas atividades conjuntas com o Centro Tecnológico da Baixada Santista (CTBS), que será construído com financiamento da Petrobras em parceria com a USP, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista (Unesp). Dessa forma, o grupo também atuará no desenvolvimento científico e tecnológico decorrentes das pesquisas do CTBS com a Petrobras e outras operadoras.

As atividades do laboratório envolvem técnicas de análise e modelagem aplicáveis a diversas áreas e estimulam a integração entre setores para atuar nos desafios científicos e tecnológicos, como os da exploração e produção de óleo e gás. (Portal SP) atorFunctio

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