Manchas no Nordeste põem em xeque segurança de operações offshore de petróleo

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O vazamento de óleo que atinge as praias nordestinas já é considerado o mais extenso e complexo desastre ambiental dessa natureza já ocorrido no País. Desde 30 de agosto de 2019, resíduos de petróleo cru invadem as praias da região atingindo uma área de 2.100 km de manchas oleosas, que atingem cerca de 100 municípios da Bahia ao Maranhão.

As causas desta tragédia ambiental ainda são desconhecidas não havendo registro de acidentes por parte de empresas que exploram petróleo na região, ou em petroleiros que navegassem por aquelas águas no período em que começaram a chegar as borras de óleo no litoral, o que está sendo alvo de investigações por parte da Marinha.

Outra hipótese considerada seria uma possível operação ship to ship entre embarcações para transferência de óleo, mas também não há registro deste tipo de operação na área que geralmente é controlada pelo Ibama e pela ANP, sendo necessário autorização para sua realização. As operações de transferência de petróleo entre embarcações em alto mar são as que mais representam riscos de vazamento, sendo responsáveis por pelo menos três vazamentos este ano nas bacias de Campos e Santos.

O que mais tem chamado a atenção neste incidente é que não há indícios de manchas de óleo na superfície do oceano nas fotos de satélite da região atingida, sugerindo sua origem submersa – naufrágio ou vazamento direto de poço em exploração, como aconteceu em 2011 no Campo de Frade na bacia de Campos. Este tipo de acidente é o pior cenário possível em se tratando de vazamento de petróleo já que o óleo vem direto do poço que pode conter volumes astronômicos. O poço em Frade foi cimentado, restando saber se vem sendo monitorado para que seja evitado o pior.

Como não há registro de naufrágio de navio petroleiro nas áreas sob análise nos últimos anos, fica ainda a hipótese de ter sido originado de embarcação clandestina naufragada ou que, por motivos de risco extremo, teria descartado sua carga, sem relatar a ocorrência.

A hipótese da origem venezuelana se baseia apenas nas características do petróleo, o que também não é conclusivo, sendo menos provável ainda que tenha se originado de acidente em plataforma na costa do País bolivariano tendo em vista as correntes marítimas que predominam naquela região.

Por outro lado, há quem sustente a possibilidade deste óleo ter origem de navio naufragado há vários anos ao norte, a leste do Mar do Caribe, trazido pela corrente de fundo da América do Norte. Esta região é conhecida por ter muitos naufrágios, intensa atividade sísmica e é rota dos petroleiros que vem da Venezuela.

Técnicos do Ibama sustentam que esta mancha de óleo está se deslocando de forma submersa com origem fora do mar territorial brasileiro, o que complica mais ainda a detecção de sua origem, considerando ainda que as únicas referências para o combate a este tipo de ocorrência são as imagens de satélite que só registram as áreas superficiais, e o comunicado de acidente, obrigatório por lei, por parte das empresas que exploram petróleo no Brasil.

Outro complicador é a escassa cobertura por satélite do oceano partir de certa distância da costa, ou seja, há muito pouco a fazer com os recursos disponíveis, situação ainda mais agravada pela demora do governo em reagir aos primeiros sinais da tragédia, e pelo próprio desmonte que vinha ocorrendo no sistema de fiscalização, além da extinção, por parte do governo federal de comitês do Plano de Ação com Incidentes com Óleo.

Pesquisadores da Coppe UFRJ acreditam ter chegado ao ponto de origem do vazamento utilizando-se de uma tecnologia conhecida como modelagem inversa que parte dos pontos de chegada das manchas no litoral fazendo o caminho para trás, chegando a uma área a cerca de 700 km da costa de Sergipe e Alagoas, fora do mar territorial brasileiro. Em 6 de Agosto o Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), registrou um terremoto de 5,8 Graus de magnitude na escala Richter cujo epicentro ficava a 1.100 km da Costa Potiguar, que poderia ter atingido possível navio naufragado carregado de óleo naquela região.

O recolhimento do óleo nas praias tem sido feito por populares e pela Petrobras, voluntariamente, única petroleira a ter a iniciativa dentre as mais de cinquenta que exploram petróleo no Brasil, ganhando o reforço tardio de cinco mil militares, 20 dias depois das primeiras manchas atingirem o litoral nordestino.

Este acidente expôs a vulnerabilidade da costa brasileira em relação à produção e transporte offshore de petróleo, devendo provocar debates mais aprofundados sobre o tema e o surgimento de novas tecnologias e regulações que possam prevenir ou garantir pronta ação em casos como este.

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