Vestígios de óleo no RJ. Deputado quer Governo Federal usando royalties para prevenção

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Análises confirmaram que o óleo encontrado nas praias de Grussaí, em São João da Barra, Santa Clara e Guriri, em São Francisco de Itabapoana, no norte do Estado do Rio e Janeiro é compatível com o que emporcalhou praias e manguezais no Nordeste, comprovando o deslocamento da mancha em direção às águas fluminenses. Já os resíduos oleosos que chegaram às praias de Búzios, Arraial do Cabo e Cabo Frio na semana passada, e nesta semana no canal das Flechas em Quissamã e na praia do Barreto em Macaé, não tem a mesma procedência, ainda sendo investigada sua origem.

A simultaneidade de ocorrências do tipo, no entanto, acende um alerta para a necessidade de medidas mais eficazes para prevenir e combater vazamentos de petróleo em alto mar, considerando ainda as diversas ocorrências este ano nas bacias de Campos e Santos, num momento em que se intensifica a prospecção de petróleo nas duas bacias.

Em Brasília, O deputado macaense Christino Áureo, presidente da Frente Parlamentar para o Desenvolvimento Sustentável do Petróleo e Energias Renováveis, trabalha em um projeto de lei que obriga o Governo Federal a destinar recursos recebidos de royalties em prevenção a vazamentos de petróleo em alto mar, embasado em estudos desenvolvidos pela Coppe/UFRJ.

– As notícias que vemos, é que há um grande despreparo do país para solucionar o problema. Pesquisadores, tais como a Carina Böck, da COPPE/UFRJ, já tinham alertado que essas manchas poderiam chegar às praias do Estado do Rio. Temos que tomar esta situação como um aprendizado e investir seriamente em prevenção, e temos que agir rápido em busca de soluções – avalia o deputado. 

Para Carina Böck, pesquisadora do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (LAMCE) da COPPE, integrante do grupo que analisa a origem do vazamento de óleo no Nordeste, a prevenção é muito menos dispendiosa do que o reparo do problema.

– Para descobrir a origem do vazamento, utilizamos a modelagem inversa, através da qual podemos determinar as possíveis trajetórias do óleo em superfície e em camadas mais profundas do oceano, até chegar a origem. Se tivéssemos um sistema de modelagem computacional operacional de alta resolução aplicado à toda a região costeira e oceânica adjacente do Brasil em funcionamento, a determinação da origem da mancha e de seu possível trajeto poderia ser feita em tempo menor. Essa ação tem um custo operacional, mas com certeza bem menor do que tivemos – afirmou a pesquisadora.

Segundo a pesquisadora, o LAMCE, em parceria com outras instituições de ensino, tem um projeto chamado Baía Viva, que fornece previsões diárias de ventos, correntes marinhas e ondas para toda a região da Baía de Guanabara. O projeto conta ainda, integrado aos modelos atmosférico e hidrodinâmicos, com um modelo operacional de transporte e dispersão de óleo, que considera um caso hipotético de vazamento de óleo na região da Baía de Guanabara, considerando as condições do dia de correntes marinhas e ventos.

 – Sendo assim, iniciativas como essa, que podem ser aplicadas à qualquer região costeira e/ou oceânica do Brasil, podem embasar as ações de contingência dos vazamentos de forma imediata – conclui Böck.

 Para Christino Áureo, é preciso destinar recursos para o Plano Nacional de Contingência para Incidentes de Poluição por Óleo – PNC, a fim de prevenir este tipo de tragédia.

– Ao aprovar o nosso projeto de lei que transforme o PNC num modelo a ser seguido, com verbas para utilizar tecnologias como esta, apontada pela Coppe, que monitore nossa costa, poderemos prevenir acidentes como este ou pelo menos mitigar o efeito da poluição mais rapidamente. Afinal, 75 % do petróleo produzido no país está em águas do estado do Rio. Até hoje as empresas causadoras dos vazamentos tem atuado no contingenciamento, mas temos que estar preparados para situações adversas, como esta.

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